Resenha | O Menino do Pijama Listrado (filme)

"A infância é medida pelos sons, aromas e cenas antes de surgir a hora sombria da razão." 

John Betjeman

Olá, pessoas! Hoje vou falar um pouco sobre um filme que assisti a pouco tempo mas sempre ouvi falar, a adaptação do livro homônimo do autor irlandês John Boyne "O Menino do Pijama Listrado", dirigido por Mark Herman, um drama incrível que se passa durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha nazista.

Para nos situarmos um pouco antes de contar a história do filme, na época da Alemanha nazista era muito comum o racismo e preconceito ou hostilidade contra os judeus, o que levava a maioria do país (controlado por Hitler) a odiá-los. Tal regime utilizou campos de concentração para suster as classes que sofriam preconceitos, como os judeus, homossexuais, e pessoas que não seguiam tal religião ou movimento político. Nesses campos, as pessoas eram tratadas de forma desumana e até exterminadas de forma brutal. Em casa, as mulheres eram levadas a crer que o seu mundo era seu marido e tinham que manter as boas aparências em público. A educação consistia apenas de professores não judeus e que, talvez a maioria, impregnavam o nazismo como uma boa causa para as crianças da época.

O filme conta a história de Bruno, um garoto de 8 anos que faz parte de uma família alemã tradicional. Após seu pai, um soldado nazista, receber a proposta de comandar um campo de concentração, Bruno é forçado a mudar-se de Berlim com sua família e abandonar os amigos que tinha na cidade. Na nova casa, Bruno é engolido pela solidão, ele se vê sem companhia alguma para suas brincadeiras, tais como o jogo de damas ou sua bola.


No desenrolar da mudança, Bruno descobre, pela janela alta de seu novo quarto, o campo de concentração que fica próximo dali. É a partir desse momento que seu questionamento sobre a "fazenda" que achara vai se desenvolvendo a ponto do menino explorar os limites de sua casa, uma vez proibidos pelos seus pais, e encontrando a cerca que o separa de Shmuel, um garoto judeu vestindo um pijama listrado (vestimenta típica para os prisioneiros do local) que também tem 8 anos e está confinado no campo de concentração.

É a partir desse encontro na cerca que o real significado do filme nos toca. Ambas as crianças com sua inocência sobre toda a situação pela qual seu país e o mundo inteiro está passando, sobre o Holocausto em si, questionando o fato de estarem separados pela cerca. Shmuel apenas sabe que está ali por ser judeu. Tal inocência pode ser notada claramente quando Bruno pede para participar da brincadeira dos números ao olhar uma numeração costurada no pijama de Shmuel, que na verdade se trata apenas de como os prisioneiros eram identificados pelos soldados.


Finalmente tendo alguém para conversar e brincar, Bruno faz visitas constantes a Shmuel, levando comida pedida pelo mesmo por estar morrendo de fome e seus brinquedos para passar o tempo que é permitido ao pequeno judeu, que devia estar trabalhando mas escapa se escondendo atrás de entulhos. Contudo, as questões levantadas por Bruno após seu professor particular e sua família comentarem sobre os judeus e como eram mal vistos pela sociedade, o garoto tem sua mente bombardeada com pensamentos do tipo "Shmuel é um judeu, então eu não deveria ser amigo dele, mas sim inimigo?" enquanto a da sua irmã é levada a crer que Hitler é o salvador da pátria, e até sua mãe desconhece o que realmente acontece no campo de concentração.

"O Menino do Pijama Listrado" traz muitas reflexões para quem o assiste. É um filme repleto de questões filosóficas, sociológicas e que mostra muito bem o comportamento que certas pessoas tinham durante o regime nazista. O diferente ponto de vista da amizade de duas crianças totalmente distintas e com situações opostas nos emociona pela inocência e simplicidade de como elas enxergam o mundo. A ótima produção de David Heyman ajudou muito na adaptação dessa história. Sua fotografia nos leva completamente para a época e retrata bem a diferença entre os favorecidos e os excluídos, além das atuações que nos dão a impressão de como era difícil lidar com tantos problemas de uma sociedade tão ideologicamente rígida. Recomendo bastante e preparem os lenços para o final!

Espero que tenham gostado! Até mais!

3 comentários:

Carol disse...

Esse filme/ livro é tão perfeito. Todas as vezes que assisto eu choro hehe
Beijos
BlogCarolNM
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Angelica Andrade disse...

@Carol Incrivelmente eu não chorei nesse filme, mas ficou um sentimento de amargura lá no fundo... É muito tocante, especialmente o final! Beijos

Luana Souza disse...

não chorei vendo esse filme, mas fiquei muito marcada. A professora passou no sétimo ano, antes de começarmos a falar sobre a Segunda Guerra Mundial. Fiquei muito triste e indignada com o final :'( gosto de finais felizes!
mas, em fim, ainda gosto muito do filme, apesar de evitar assisti-lo :b
beijos :*
http://memorialices.blogspot.com.br/

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