Madrugada.

Londres depois da meia-noite – não há estrelas; um manto de nuvens cobre a cidade como um velho cobertor da tropa húmido. A luz de vapores de sódio que emana de centenas de milhares de candeeiros escorre do céu, dando aos cantos do mundo uma tonalidade alaranjada e fazendo com que a nuvem noturna brilhe suavemente, como nevoeiro radioativo. A falsa aurora permanente desperta as aves do seu sono, e elas pontuam a banda sonora dos ruídos urbanos com súbitos trinados campestres. Nas orlas da velha cidade, algumas raposas galopam, alguns sujeitos que ficaram a beber até tarde seguem o seu instinto e regressam a casa. Na zona dos armazéns vitorianos cobertos de fuligem, as coisas estão tranquilas. Nos átrios, sentados à secretária da recepção, um ou dois seguranças dormitam inclinados sobre revistas, à espera que o tempo passe. Noutros locais, a cidade nunca dorme, mas aqui a atividade é comercial e, num certo sentido, alimentada pelo Sol. À noite as máquinas descansam. As únicas coisas que se movem ao longo das ruas são rajadas de ar com a sua carga de neblina e poluição.

"Fé é o pássaro que sente a luz e canta quando a madrugada é ainda escura."
Frase de Rabindranath Tagore

4 comentários:

Anônimo disse...

hehe!! Legal!!

Anônimo disse...

nuss que critica ,-,

vanessa disse...

eu gostei e pá mesmo sem entender direito !

Luan Yami disse...

Realmente eh um blog muito bom.

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